27 dezembro 2011

Palestra: 06/01/2012


06/01 - Léon Denis e a divulgação do Espiritismo
Expositor.: Pedro Patriota

Homenagem ao Nascimento de Léon Denis


   LÉON DENIS, APÓSTOLO DO ESPIRITISMO

     Na história do espiritismo contam-se almas dotadas do mais puro amor e devotamento e cujo apostolado foi marcado não apenas por trabalhos notáveis, no terreno literário, mas por uma exemplificação vivencial extraordinária, por um espírito de propaganda inusitadamente ativo e eficiente.
     Os velhos espíritas franceses ainda guardam a lembrança de um desses homens, até hoje venerado como um mestre inesquecível.
     Qualquer pessoa identificada com a filosofia espírita conhece os nomes de Léon Denis, Gabriel Delanne e Henri Brun e sabem que, depois de Allan Kardec, são eles os primeiros autores que se devem ler, clássicos espíritas cuja inteligência contribuiu para dar à nova doutrina alicerces sólidos, admiravelmente poderosos e que permanecerão por muito tempo ainda capazes de levar aos pesquisadores dotados de boa vontade todas as garantias desejáveis a esclarecer-lhes a razão e amplificar-lhes a fé.
     Nessa galeria admirável Léon Denis parece colocar-se em primeiro plano e pode-se, sem constrangimento, afirmar que foi o melhor discípulo e o mais perfeito prosseguidor da obra de Allan Kardec.
      Escritor de talento notável, orador considerado sublime, homem do mais alto gabarito moral, Denis dedicou sua vida à propaganda do Espiritismo. Foi realmente um apóstolo no velho sentido que se dava à palavra, e sua obra, em conjunto, será um dia considerada filosoficamente de primeira ordem, grandiosa e passível de reter a atenção admirada de todos os pensadores e homens de boa vontade, libertos de sectarismos religiosos ou laicos.
     Nenhum outro autor soube pôr em tão alto relevo a obra de Allan Kardec, nenhum mais eficazmente contribuiu para a difusão dessa obra, nenhum exibiu-a sob mais intensa luz, nenhum melhor aditou-a, explicou-a e pô-la ao alcance das massas populares sedentas de verdade e sempre curiosas de desvendar os grandes problemas da vida e da morte.
     Nascido em Foug, perto de Toul (Mestre-et-Moselle), a 1º de janeiro de 1846, Denis desencarnou a 12 de abril de 1927 aos 81 anos. Residia em Tours, no departamento de Indre-et-Loire, no nº 19 da Place dês Arts, em uma grande casa de onde se via o rio Loire e suas ribeiras maravilhosas. Essa casa, entretanto por encontrar-se perto de uma ponte, foi destruída durante a guerra permanecendo em Tours apenas a residência onde, por muitos anos, na Place Prébends D’Oe, residiu na companhia de seus velhos pais. Foi entretanto na casa de Place dês Arts que Denis escreveu suas mias importantes páginas e onde também desencarnou, rodeado por fiéis amigos, entre eles Gaston Luce, seu biógrafo, e Mlle.Claire Baumard, autora de “Léon Denis na Intimidade”.
     Léon Denis está enterrado no cemitério de Tours, onde viveu por mais de 60 anos. Conheceu Allan Kardec quando o mestre lionês visitou a cidade em 1867, em viagem de propaganda. Depois disso em Paris, visitou-o muitas vezes. Todavia Denis havia lido “O Livro dos Espíritos” quando contava 18 anos e era um simples operário. Prefaciando a biografia de Henri Sausse sobre Kardec, por sinal, seu derradeiro trabalho literário, ele conta: “Foi como uma iluminação súbita de todo o meu ser”.
      Comentando a obra de Kardec, Denis tem esta frase lapidar: “A doutrina de Allan Kardec, é o resultado combinado dos conhecimentos de duas humanidades que se interpenetram, porém todas as duas imperfeitas e caminhando para a Verdade; ainda que superior a todos os sistemas, a todas as filosofias do passado, permanece aberta às retificações aos esclarecimentos do futuro”.
     Eis aqui um ensinamento que vale bem a pena reter nesta hora em que vamos surgir, em meio à intolerância, à indiferença e aos sectarismos mais diversos, religiosos ou laicos, tantas hipóteses novas que pretendem se apoiar sobre a ciência e a razão para definir o psiquismo e as leis às quais ele obedece.
     Léon Denis obedeceu durante toda a sua vida a tese espírita kardecista com o mesmo entusiasmo, com o mesmo fervor que dele fizeram um dos homens mais ouvidos de sua época em que, curiosamente, mais abundaram os negadores sistemáticos.
     Para tornar suas palestras tão eficazes quanto possível, Denis distribuía uma brochura na qual, com simplicidade, explicava o que é o Espiritismo. Esse opúsculo tem por título “O porquê da vida” e é um hábil e curto resumo dos ensinamentos kardecistas. Mas o seu trabalho literário não se deteria aí. De sua pena saíra obras de indiscutível valor, tanto por sua forma literária quanto filosófica: “Depois da Morte”, “No Invisível”, “Espiritismo e Mediunidade”, “Cristianismo e Espiritismo”, “O Problema do Ser e do destino”, “O Grande Enigma”, “Deus e o Universo”, “Jeanne D’Arc Médium”, “O Mundo Invisível e a Guerra” e, por último, “O Gênio e o Mundo Invisível”.
     Entre as simples brochuras contam-se ainda: “Por que a Vida?”, “O Lado de Lá da sobrevivência do Ser”, “O Espiritismo e o Clero Católico”, “Síntese Espiritualista” e “Espíritos e Médiuns”.
A obra “Depois da Morte”, foi lida por milhares de pessoas, ajudando a minorar as dores de uma humanidade dilacerada pela guerra. “Jeanne D’Arc Médium” foi traduzida para o inglês Sir Arthur Conan Doyle, com o qual se carteou. Os dois espíritas encontraram-se no Congresso Espírita de 1925, em Paris, que Denis presidiu com notável lucidez. Depois disso Doyle visitou-o em Tours. Denis teve por amigo um outro espírito de elite de seu tempo, Jean Jaurès, o socialista barbaramente assassinado às vésperas da guerra. Jaurès, além de político, era professor de filosofia e um espírito dotado de singular bondade, o que o aproximou de Denis. Este tributou-lhe toda uma série de artigos pela “Revue Spirite”, após o assassinato.
É curioso notar que em sua obra Denis continuamente chama a atenção para os perigos reais do Espiritismo mal compreendido, posto a serviço de fins ridículos ou de um comércio desonesto. Não se cansava de propor que a experimentação deve ter finalidade elevada, moral e interpretando um interesse geral. Aos seus olhos esse perigo necessitava ser enfatizado. Em “Depois da Morte” dedica todo um capítulo ao problema.    Na obra “No Invisível”, lançada em 1901, oferece úteis anotações quanto a maneira de se operar a experimentação e a mais racional maneira de desenvolver-se a mediunidade.
     Em “O Cristianismo e o Espiritismo” escreve:
     “Para que o trigo germine é preciso a queda das nevascas e a triste incubação do inverno. Sopros poderosos virão dissipar os nevoeiros da ignorância e os miasmas da corrupção. As tempestades passarão, o céu azul tornará a se mostrar. A obra divina se revelará em uma eclosão nova. A fé renasce nas almas e o pensamento do Cristo irradiará de novo, mais cintilante, sobre o mundo regenerado”.
     “O Gênio Céltico e o Mundo Invisível” coroa magistralmente a obra do mestre. Nele deparamos, colhidas ainda em 1925, múltiplas comunicações do próprio Allan Kardec e, por isso, nesse livro Denis reconhece, uma vez mais que sua obra é devida sobretudo à colaboração dos amigos espirituais.
“Foi – escreve – sob a instigação do espírito de Allan Kardec que eu realizei este trabalho. Nele se encontra uma série de mensagens que ele nos ditou por incorporação, em condições que excluem qualquer dúvida”.
     Na publicação “France Active”, de janeiro de 1928, quase dois anos após o seu desencarne, um crítico se exprime, a respeito de “O Gênio Céltico” com as seguintes palavras:
     “É um livro emocionante que se imporá mesmo à zombaria dos profanos e no qual, as mais vezes, pelo Espírito do próprio Allan Kardec, somos iniciados aos princípios que os druidas dirigiam já ao cepticismo dos homens. A unidade de Deus, a sobrevivência do ser sob forma fluídica, a evolução na escala infinita dos Mundos e a pluralidade das existências.
     Em que esquina nos encontramos no caminho da Vida? Tenho a impressão de que o véu que esconde ainda as esferas espirituais, como nos escondia há alguns anos as ondas hertzianas, não vai tardar a romper-se. Um vento assoprará dos quatro cantos do mundo e dissipará as sombras, escreve o Eclesiastes.
     O livro de Denis reconforta nossas impaciências, é simples, dessa prodigiosa simplicidade que só a articula o apóstolo e nos põe em contato com a luz secreta pela qual nossas almas serão revivificadas para sempre. Ele nos faz penetrar um pouco mas a frente na comunhão universal.”

Palestras Janeiro 2012



06/01 - Léon Denis e a divulgação do Espiritismo
Exp.: Pedro Patriota

13/01 - O suicídio e suas consequências
Exp.: Cristiano Freire

20/01 - Separação, filhos e uma nova família
Exp.: Janivalda

27/01 - Espiritismo, o Consolador Prometido
Exp.: Ciaxeres

22 dezembro 2011

Encerramento da Sopa e evangelização em 2011

Seguem algumas fotos e vídeos do encerramento da sopa  e evangelização do CELD em 2011.  Retornaremos com esta atividade no dia 15 janeiro de 2012.
Obrigado a todos que colaboraram para a realização deste evento!



























20 dezembro 2011

Confraternização de Natal dos Trabalhadores do CELD( 2011)

     Realizou-se no dia 17 de dezembro, a confraternização natalina dos trabalhadores do Centro Espírita Léon Denis, na qual comemoramos mais um ano de atividades da casa.  Assim, ao fim de 2011, o CELD agradece a colaboração de cada trabalhador(a), pois nesse ano que passou foram colhidos bons frutos, como também se plantaram  novas sementes para 2012, uma vez que todo nosso trabalho é feito com dedicação, acreditando em primeiro lugar na reforma íntima de cada um.
        Veja as fotos:















 Desejamos um Feliz Natal e que 2012 seja de muita paz, sucesso e felicidades para todos!















    


 

18 dezembro 2011

Visão Espírita do Natal

Marta Antunes Moura
Natal é comemorado no dia 25 de dezembro porque a data foi retirada de uma festa pagã muito popular existente na Roma antiga, e que fora oficializada pelo imperador Aureliano em 274 d. C. A finalidade da festa era homenagear o deus sol Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invicto)   considerado a primeira divindade do império romano  e festejar o início do solstício de inverno.

Com o triunfo do Cristianismo, séculos depois, a data foi utilizada pela igreja de Roma para comemorar o nascimento do Cristo (que, efetivamente, não ocorreu em 25 de dezembro), considerado, desde então, como o verdadeiro “sol” de justiça. Com o passar do tempo, hábitos e costumes de diferentes culturas foram incorporados ao Natal, impregnando o de simbolismo: a árvore natalina, por exemplo, é contribuição alemã, instituída no século XVI, com o intuito de reverenciar a vida, sobretudo no que diz respeito aos pinheiros, que conservam a folhagem verde no inverno; o presépio foi ideia de Francisco de Assis, no século XIII. As bolas e estrelas que enfeitam a árvore de Natal representam as primitivas pedras, maçãs ou outros elementos com que no passado se adornavam o carvalho, precursor da atual árvore de Natal.

Antes de serem substituídas por lâmpadas elétricas coloridas, as velas eram enfeites comuns nas árvores, como um sinal de purificação, e as chamas acesas no dia 25 de dezembro são uma referência ao Cristo, entendido como a luz do mundo. A estrela que se coloca no topo da árvore é para recordar a que surgiu em Belém por ocasião do nascimento de Jesus. Os cartões de Natal apareceram pela primeira vez na Inglaterra, em meados do século XIX. Os espíritas veem o Natal sob outra ótica, que vai além da troca de presentes e a realização do banquete natalino, atividades típicas do dia. Já compreendem a importância de renunciar às comemorações natalinas que traduzam excessos de qualquer ordem, preferindo a alegria da ajuda fraterna aos irmãos menos felizes, como louvor ideal ao Sublime Natalício.

Os verdadeiros amigos do Cristo reverenciam-no em espírito. A despeito do relevante significado que envolve o nascimento e a vida do Cristo e sua mensagem evangélica, sabemos que muitos representantes da cristandade agem como cristãos sem o Cristo, porque vivenciam um Cristianismo de aparência.

Neste sentido, afirmava o Espírito Olavo Bilac que “ser cristão é ser luz ao mundo amargo e aflito, pelo dom de servir à Humanidade inteira”. Chegará a época, contudo,em que Jesus, o guia e modelo da Humanidade terrestre, será reverenciado em espírito e verdade; Ele deixará de ser visto como uma personalidade mítica, distante do homem comum; ou mero símbolo religioso que mais se assemelha a uma peça de museu, esquecida em um canto qualquer, empoeirada pelo tempo. Não podemos, contudo, perder a esperança. Tudo tem seu tempo para acontecer.

No momento preciso, quando se operar a devida renovação espiritual da Humanidade, indivíduos e coletividades compreenderão que [...] Jesus representa o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei [...].

Distanciado dos simbolismos e dos rituais religiosos, o espírita consciente procura festejar o Natal todos os dias, expressando-se com fraternidade e amor ao próximo. Admite, igualmente, que [...] a Doutrina Espírita nos reconduza o Evangelho em sua primitiva simplicidade, porquanto somente assim compreenderemos, ante a imensa evolução científica do homem terrestre, que o Cristo é o sol moral do mundo, a brilhar hoje, como brilhava ontem, para brilhar mais intensamente amanhã.6 Perante as alegrias das comemorações do Natal, destacamos três lições ensinadas pelos orientadores espirituais, entre tantas outras. Primeira, o significado da Manjedoura, como assinala Emmanuel: As comemorações do Natal conduzem-nos o entendimento à eterna lição de humildade de Jesus, no momento preciso em que a sua mensagem de amor felicitou o coração das criaturas, fazendo-nos sentir, ainda, o sabor de atualidade dos seus divinos ensinamentos.

A Manjedoura foi o Caminho. A exemplificação era a Verdade. O Calvário constituía a Vida. Sem o Caminho,o homem terrestre não atingirá os tesouros da Verdade e da Vida. Segunda, a inadiável (e urgente) necessidade de nos aproximarmos mais do Cristo, de forma que o seu Evangelho se reflita, efetivamente, em nossos pensamentos, palavras e atos. Para a nossa paz de espírito não é mais conveniente sermos cristãos ou espíritas “faz de conta”.[...]

Comentando o Natal, assevera Lucas que o Cristo é a Luz para alumiar as nações.8 Não chegou impondo normas ou pensamento religioso. Não interpelou governantes e governados sobre processos políticos. Não disputou com os filósofos quanto às origens dos homens. Não concorreu com os cientistas na demonstração de aspectos parciais e transitórios da vida. Fez luz no Espírito eterno.

Embora tivesse o ministério endereçado aos povos do mundo, não marcou a sua presença com expressões coletivas de poder, quais exército e sacerdócio, armamentos e tribunais. Trouxe claridade para todos, projetando-a de si mesmo. Revelou a grandeza do serviço à coletividade, por intermédio da consagração pessoal ao Bem Infinito. Nas reminiscências do Natal do Senhor, meu amigo, medita no próprio roteiro.

Tens suficiente luz para a marcha? Que espécie de claridade acendes no caminho? Foge ao brilho fatal dos curtos-circuitos da cólera, não te contentes com a lanterninha da vaidade que imita o pirilampo em voo baixo, dentro da noite, apaga a labareda do ciúme e da discórdia que atira corações aos precipícios do crime e do sofrimento. Se procuras o Mestre divino e a experiência cristã, lembra-te de que na Terra há clarões que ameaçam, perturbam, confundem e anunciam arrasamento...

Estarás realmente cooperando com o Cristo, na extinção das trevas, acendendo em ti mesmo aquela sublime luz para alumiar? Por último é muito importante aprendermos a ser gratos a Jesus pelas inúmeras bênçãos que Ele nos concede cotidianamente, em nome do Pai, como a família, os amigos, a profissão honesta, a vivência espírita etc., sabendo compartilhá-las com o próximo, como aconselha Meimei: Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela ternura de harmoniosa canção...

Percebes que o Céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas sombras do mundo. [...] Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, pelo eterno amor que se derramou das estrelas. Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo-te a vida, mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de alguém!...

Referências:

1DUTRA, Haroldo D. O novo testamento. (Tradutor). Brasília: EDICEI, 2010. p. 258.
2VIEIRA, Waldo. Conduta espírita. Pelo Espírito André Luiz. 31. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 47, p. 154.
3XAVIER, Francisco C. Antologia mediúnica do natal. Espíritos diversos. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 76, p. 201.
4KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 625.
5______. ______. Comentário de Kardec àq. 625.
6XAVIER, Francisco C. Religião dos espíritos. Pelo Espírito Emmanuel. 21. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. Jesus e atualidade, p. 296.
7______. Antologia mediúnica do natal. Espíritos diversos. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 21, p. 57.
8LUCAS, 2:32.
9XAVIER, Francisco C. Antologia mediúnica do natal. Espíritos diversos. 6. ed.Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 4.
10______. ______. Cap. 29, p. 73-74.